Tip Burn: distúrbio fisiológico problemático na produção de alface hidropônica

O tip burn ou queima de borda é um distúrbio fisiológico associado a má formação dos tecidos meristemáticos em função da falta de cálcio (Ca).

Ressalta-se que uma das funções do Ca nos vegetais é ser estrutural; por este elemento fazer parte da composição da parede celular (Lamela média), por outro lado, o Ca também é considerado essencial por ter a função de sinalizador secundário no metabolismo vegetal.

Um conceito fundamental da hidroponia é o fornecimento dos elementos essenciais na dose adequada, durante todo o ciclo da planta. A partir disto, subentende-se que a aplicação de doses recomendadas para o cultivo de plantas em solução nutritiva, em específico de Ca, anulariam os distúrbios associados a deficiência de Ca neste sistema.

Porém elevadas perdas de alface quando cultivadas em hidroponia são rotineiramente observadas, mesmo quando estas plantas são conduzidas em soluções nutritivas com doses adequadas de Ca.

Assim, a associação do tip burn com características microclimáticas específicas é a chave para o entendimento da dinâmica do Ca na planta.

Como o transporte e ascensão do Ca  na planta está em função do fluxo transpiratório, plantas submetidas a condições que reduzam a transpiração terão maior percentual de chances de apresentarem Tip Burn.

A relação entre temperatura e UR% gera a pressão de vapor, assim déficits de pressão de vapor favorecerão ao Tip  Burn. Na prática, em situações onde ocorram temperaturas próximas entre a superfície foliar e o ambiente e, UR% altas, favorecerão a ocorrência da queima de borda, por estas reduzirem a transpiração da planta. Assim, plantas conduzidas em regiões com alta precipitação (ALTA UR%) possuem maior probabilidade de apresentarem sintomas de queima de borda.

O manejo ambiental, assim como nutricional torna-se fundamental para a redução do distúrbio. O aumento da ventilação dentro do ambiente de cultivo protegido é uma recomendação, por esta aumentar a transpiração em função da  redução da camada limítrofe (Resistência ambiental, que dar-se pela formação de uma camada mais úmida no entorno da folha), porém a adoção da ventilação forçada em muitos casos não é uma solução viável economicamente.

Por outro lado, o ajustamento do potencial osmótico da solução nutritiva (o qual confere mais água na disponível a planta) é uma alternativa viável, por ser tratar da redução da concentração iônica da solução (na prática é a redução da condutividade elétrica) e manutenção da temperatura da solução abaixo dos 29oC.

De modo geral, a recomendação de manejo visando a redução da queima de borda é a redução da condutividade elétrica (entre 1,0 a 1,4) em condições de alta umidade (com manutenção da dose de micronutrientes e aminoácidos)e manejo de tela de sombreamento, com cobertura das plantas após ao térmico da sequência de dias chuvosos.  Via de regra, os produtores que adotam este manejo relatam uma significativa redução dos sintomas da deficiência de cálcio, independentemente da adoção da adubação foliar corretiva com Ca.

Autor: Gláucio da Cruz Genuncio – Dr. em nutrição mineral de plantas

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