Podridão radicular: Como lidar com esse problema na hidroponia

Que a hidroponia, em comparação ao sistema convencional, é menos suscetível a pragas e doenças já se sabe, mas um dos problemas mais comuns (principalmente nos cultivares de alface) é a podridão radicular, ou seja, a podridão das raízes da planta, efeito causado por espécies de fungo Pythium ssp.

Em diversos estados brasileiros onde se pratica hidroponia, a podridão de raízes é diagnosticada como a principal causa de perdas por parte dos produtores, pois as raízes podem ser contaminadas em todos os períodos de desenvolvimento.

Esses fungos possuem um eficiente mecanismo de disseminação em sistemas NFT, através de esporos de origem assexual, dotados de flagelos, chamados de zoósporos. Esses esporos são levados pela própria solução nutritiva que circula no sistema, ou seja, ele é capaz de contaminar as raízes de todas as plantas presentes nos canais de cultivos.

Identificando o problema

Em meses de verão há uma maior incidência e severidade do problema, sendo a alta temperatura da solução nutritiva (o que diminui a oxigenação da mesma) um fator importante para o desenvolvimento do fungo (já que o Pythium é um fungo oportunista), ocasionando estresses nas plantas e contribuindo para a diminuição da sua resistência natural. 

De início, é possível notar que as pontas das raízes infectadas apresentam um certo escurecimento de coloração marrom, aspecto amolecido e liberam um líquido de odor fétido. Posteriormente a raiz apodrece, e causa necrose do sistema radicular todo, levando a planta à morte. 

Também é possível que o Pythium spp cause infecções sub-clínicas. Essas infecções reduzem a produção, mas não exibe os clássicos sintomas da doença, ocasionando a não detecção do problema pelo produtor no início. As plantas que conseguem se desenvolver apresentam um porte menor e geralmente em horários quentes ficam murchas.

Prevenção

A melhor forma de controle é a preventiva, evitando a entrada do patógeno no sistema, principalmente por meio da água. Para isso é necessário utilizar água de boa qualidade e mudas sadias. Já nas áreas que foram constatadas a presença do fungo, é necessário fazer a limpeza dos materiais, desde bancadas e perfis até o sistema de irrigação. 

A mais importante ação preventiva é a escolha de uma estrutura técnica e adequada na montagem do sistema hidropônico, ou seja:

  • Perfis adequados em dupla camada plástica, branco na parte externa e grafite na parte interna (que refletem calor);
  • Bancadas curtas (veja o Sistema HPM) que permitem que a solução nutritiva percorra rapidamente o caminho de volta ao reservatório fazendo com que não haja o aquecimento da solução;
  • Ótima oxigenação no reservatório da solução nutritiva;
  • Montagem ideal da casa de máquinas (onde ficam os reservatórios);
  • Temperatura ideal de trabalho dentro das estufas agrícolas;
  • Uso de telas e filmes adequados, além de outros fatores.

Outra alternativa para combater esse problema é o controle biológico. Pode ser um dos métodos mais promissores e eficientes para controlar a doença, pois tem a vantagem da atuação de agentes de biocontrole ser diretamente na zona de infecção. Bactérias dos gêneros bacillus são as mais promissoras. 

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