Produtos hidropônicos e a valorização no mercado em relação aos convencionais

Um produto produzido em hidroponia e um de solo, apesar de serem semelhantes, possuem muitas diferenças e muitos produtores ficam na dúvida de qual método vale mais a pena: hidropônico ou convencional de solo.

Um dos pontos positivos da técnica hidropônica, que vem conquistando produtores do país inteiro, é a alta rentabilidade e aumento da produtividade, sendo o segundo o principal atrativo do sistema, pois o cultivo protegido pode ser feito o ano inteiro, independente do clima e, por se fazer o plantio em barras de perfis, é possível que todos os dias o produtor faça replante, assim haverá uma constância diária de plantas pronta para serem colhidas.

Na hidroponia, de fato precisa-se ter um investimento relativamente alto no início, mas esse valor se paga assim que o produtor começa a ver resultados.

Essa estabilidade na produção garante ao produtor entrega constante e, consequentemente, clientes o ano todo. Além disso, a quebra em um cultivo é muito pequena: Apenas 2%, ou seja, em uma bancada com 300 plantas, seis, em média, não estão própria para comércio.

Sendo assim, a combinação da elevada produtividade, diminuição no ciclo de cultivo e melhor qualidade dos produtos hidropônicos contribuem para se obter um bom lucro, e, portanto um retorno do capital mais rápido. Em 2017 a Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp) forneceu a Hidrogood a informação de que a venda da alface hidropônica crespa estava 85% mais cara do que uma convencional. Ou seja, um produto hidropônico estava com o valor agregado muito maior.

Atualmente, nas últimas semanas de janeiro de 2020, segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), na Ceagesp, por exemplo, as alfaces hidropônicas têm mantido uma valorização maior no preço em relação às convencionais, devido à qualidade superior. Enquanto a alface americana convencional teve uma valorização de 10,40%, a da alface crespa hidropônica foi de 13,72%. 

Além disso, uma produção hidropônica pode ser facilmente instalada perto de centros comerciais, o que facilita na entrega de produtos e obtenção de assistência técnica, caso necessário, além de ter um custo menor de transporte. 

Um ponto a ser observado é que os produtos hidropônicos possuem baixa ocorrência de pragas e doenças,  pois a técnica não faz uso do solo, que é onde tem-se a maior parte dos vetores. E, apesar de existirem fungos e bactérias que se proliferam na água, a forma de eliminar é muito mais prática, rápida e efetiva do que em cultivo convencional de solo, através da higienização do sistema e técnicas de prevenção e tratamento de pragas e fungos.

Ricardo Tarchiani na edição de fevereiro de 2020 do Curso de Hidroponia


Outro ponto a ser observado é o tempo de prateleira. Os produtos hidropônicos são, normalmente, comercializados ainda com as raízes, ou seja, a planta permanece viva. Isso permite que o tempo de prateleira seja mais longo do que as plantas cultivadas em solo, pois, além de mantê-la viva, a presença da raiz não deixa ter uma porta de saída para os fluidos internos da planta, mantendo o aspecto de vigor. 

Já quando o produtor colhe um produto diretamente do solo tende a cortar a sua raiz, iniciando, assim, sua degradação. Comparando ambos produtos, o hidropônico sobrevive, em média, até 5 dias nas prateleiras, enquanto o do solo 2. 

A qualidade e higiene de um produto hidropônico chama a atenção dos consumidores, então, levando em consideração que a presença das raízes (não sujas de terra e de coloração clara) são de fácil reconhecimento pelo cliente (que aceita pagar o valor do produto, pois entende que possui uma qualidade diferenciada), o produtor consegue vender um pé de alface, por exemplo, pelo dobro do valor do convencional (ou até mais).

A técnica hidropônica se justifica em muitos fatores. Ela só apresenta aspectos positivos, e pode ser bem mais rentável ao produtor do que o plantio convencional se levarmos em conta o resultado final: Produtos de qualidade e alto valor agregado. Mas é importante ressaltar que, para obter sucesso no cultivo comercial, é preciso ter mão de obra qualificada. Sistemas mal planejados, utilização de materiais inadequados, falhas no controle fitossanitário e na solução nutritiva podem comprometer uma produção inteira e levar o produtor à frustração.

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