Como planejar a construção de um reservatório hidropônico

O que é um reservatório hidropônico e para que serve?

 

Um reservatório hidropônico contém toda a solução nutritiva e é onde se faz as medições necessárias para o controle e ajustes da solução. Normalmente o reservatório é colocado enterrado no solo, uma vez que a bomba envia a solução para as bancadas e o retorno é feito por gravidade. Um fator importante na construção do seu projeto de reservatório hidropônico é conseguir evitar o aquecimento da solução nas épocas mais quentes.

 

Pra início do projeto recomendamos fazer um buraco revestido de alvenaria de modo que se possa entrar e trabalhar com conforto e rapidez. A cobertura deve ser de telha de barro para manter o ambiente para a solução o mais fresco possível.

O que é preciso definir antes de construir meu reservatório?


1.Tipo

O reservatório pode ser encontrado em qualquer loja de materiais de construção no mercado em fibra de vidro ou plástico. Reservatórios construídos em alvenaria trazem um problema de reação dos materiais construtivos com a solução nutritiva. Pela mesma razão não se utilizam os reservatórios de fibra amianto.

2.Capacidade
A capacidade será determinada em função do tamanho e tipo de cultivo desejado. Para o caso da alface, por exemplo, pode-se calcular de 0,5L a 1,0L para cada pé. Leva-se sempre em conta que ao dimensionar o reservatório adequadamente o desbalanceamento da solução se dá mais devagar, embora se trabalhe com quantidades maiores de solução. Trabalhar com reservatórios muito pequenos, implica em um acompanhamento e manejo muito mais freqüentes.
Outro aspecto a ser considerado é o risco de contaminação por patógenos que dessa maneira se dissemina mais rápido. Portanto, utilizando-se vários depósitos menores e separados torna-se mais fácil este controle, bem como o manejo, ajuste e oxigenação. Ao mesmo tempo permite maior flexibilidade, pois no caso de limpeza ou descontaminação pode-se parar uma porção menor enquanto o resto segue produzindo normalmente. Além disso, no caso de cultivo de plantas que exigem mudanças na formulação, como a rúcula, por exemplo, podemos ter estas alterações apenas no reservatório dedicado a esta cultura.


3. Alternativas

Outra consideração é quanto ao uso de 2 depósitos como uma medida de prevenção no caso de falta de energia. Neste caso um reservatório é colocado numa posição elevada e a entrada se faz por gravidade, controlada por uma válvula solenóide acoplada a um temporizador, sendo a solução recolhida num segundo reservatório, de onde uma bomba enviará a solução para o primeiro depósito. Embora o uso de bomba seja menor, existe um complicador no ajuste, pois sempre teremos a solução em 2 locais diferentes.

4. Oxigenação
A oxigenação é um dos fatores mais importantes no cultivo, pois a planta também retira o oxigênio de que necessita da solução nutritiva. O máximo de oxigenação que se possa ter é o recomendado e pode-se, por exemplo, fazer um retorno da bomba ao reservatório, provocando borbulhamento. Pode ser instalado um sistema tipo “Venturi”, que é mais eficiente e recomendado. O ideal é fazer os dois sistemas. Até mesmo borbulhadores podem ser utilizados.
Nas épocas quentes a oxigenação se torna um fator crítico devido à perda do oxigênio que se evapora para a atmosfera.


Como escolher o modelo de bomba?

É importante utilizar uma bomba simples (centrífuga), já que a vazão não é tão grande e a altura manométrica não ultrapassa 1,5m em um terreno plano. O cálculo deve incluir a altura, a vazão por canal e o número de canais a serem atendidos. Dimensionar também com uma folga, prevendo um retorno para o reservatório para melhorar a oxigenação. O dimensionamento é feito em função do número de bancadas e linhas a serem alimentadas. Como regra geral para a alface calcula-se a vazão em cerca de  1,5 à 2L/minuto em cada linha. O fornecedor poderá ajudar e fazer este cálculo sem problemas. Abaixo mostramos um exemplo: Para 10 bancadas de 8 linhas, teríamos 80 linhas x 1,5L/min = 120L/min = 7.200 litros/hora.


A bomba para levar a solução às bancadas, trabalha normalmente “afogada”, ou seja, num nível inferior ao da solução (do lado de fora do reservatório), para evitar a entrada de ar no sistema. As bombas submersas em modo geral não são recomendadas porque a carcaça externa sofrerá muita corrosão, já que a solução nutritiva é uma solução salina e também devido a vibração da bomba, isso pode rachar o reservatório. Além disso, a bomba   submersa contém peças metálicas galvanizadas (zincagem) que podem aumentar o índice de Zinco na solução e consequentemente intoxicar as plantas.

 

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