Silício (Si) e Selênio (Se) na Alface Hidropônica: implicações no equilíbrio nutricional, na defesa contra pragas e doenças e na qualidade pós-colheita
A produção de alface em sistemas hidropônicos já é uma prática eficiente e de impacto comercial dentre as formas de produção de hortaliças; a qual é amplamente adotada em diversas regiões produtivas no Brasil, em função da eficiência do uso da água e na redução significativa da incidência de pragas e doenças em sistemas de cultivo hidropônico.

Contudo, para o alcance da produtividade máxima esperada, com produtos de qualidade superior, exige-se um manejo nutricional adequado e equilibrado. Neste sentido, somente o fornecimento de nutrientes essenciais já não é suficiente em casos dos quais o ambiente comportasse como estressante, no caso, por exemplo, em ambiente cujas temperaturas apresentam-se altas, mesmo na fase noturna.
Assim, a adição de elementos benéficos, tais como o como o silício (Si) e o selênio (Se) se destaca como uma estratégia promissora para a melhoria no equilíbrio nutricional da hortícolas amplamente utilizadas na hidroponia, tais como a alface.
Por outro lado, o Se e o Si, embora acionados em quantidades menores quando comparados aos microelementos essenciais (Fe, Cu, Mn, Zn, Cl, B, Mo e Ni), apresentam uma série de benefícios fisiológicos que impactam não apenas o crescimento e desenvolvimento das plantas, mas também sua resistência a estresses bióticos e abióticos e, em última instância, a qualidade do produto pós-colheita.
A busca do equilíbrio nutricional a partir da adição do Se e do Si, tem como finalidades a conquista de um ajuste fino em termos nutricionais. Especificamente, o Si, embora não seja classificado como um nutriente essencial para plantas hidropônicas, tem se mostrado indispensável para cultivos de hortaliças neste sistema, incluindo a alface.
Sua aplicação no cultivo hidropônico pode promover a formação de paredes celulares mais robustas, conferindo maior rigidez à planta, o que, além de favorecer o transporte de água e nutrientes, também a torna mais resistente a quebras físicas e ao ataque de fitófagos, como pulgões e tripes.
Por sua vez, o selênio, um elemento com caráter essencial para os humanos, desempenha um papel relevante na defesa antioxidante das plantas. Em sua forma bioativa, o selênio está envolvido na modulação de sistemas enzimáticos antioxidantes (Rota EROS), como as peroxidadas e glutationas, que são fundamentais para a mitigação dos efeitos do estresse oxidativo.
Este elemento, portanto, contribui para a estabilidade da estrutura celular e a manutenção do equilíbrio nutricional dentro da planta, ajudando na sinergia de outros nutrientes essenciais, como potássio (K), cálcio (Ca) e magnésio (Mg).
No que tange à proteção das plantas contra pragas e doenças, a incorporação de Si e Se nas soluções nutritivas tem se mostrado eficaz como uma estratégia natural de controle.
O silício, devido à sua capacidade de formar depósitos na parede celular das plantas, tem o efeito direto de dificultar o acesso de insetos sugadores e de outros fitófagos. Além disso, a presença do silício pode desencadear um aumento na produção de substâncias fenólicas, que possuem propriedades antimicrobianas e antifúngicas, atuando como uma barreira física e química contra patógenos.
Já o Se, embora mais comumente reconhecido por suas propriedades antioxidantes em humanos, exerce uma função de defesa nas plantas de maneira complementar. A ação antioxidante do selênio resulta em um aumento significativo da resistência das plantas ao estresse biótico, especialmente em situações de infecções fúngicas e bacterianas.
O estudo da interação entre o selênio e os patógenos mostrou que as plantas enriquecidas com selênio exibem uma resistência superior a doenças como a podridão de raiz, causadas por fungos do gênero Pythium, além de outras infecções por Fusarium e Botrytis, comuns em cultivos de alface e morango, respectivamente.
Além disso, a presença do Se pode desencorajar o ataque de insetos herbívoros, já que a acumulação deste micronutriente nas folhas pode ser tóxica para diversas espécies de insetos.
Quanto à influência no Pós-Colheita quanto a qualidade e longevidade na prateleira, destaca-se que adição de Si e Se na alface hidropônica aumenta o pós-colheita da planta. Sendo que durante o armazenamento e transporte, as alfaces hidropônicas torna-se mais suscetíveis à degradação física e à perda de qualidade, o que é considerado um ponto crítico que afeta a aceitação do produto por parte do consumidor.
Assim, o Si contribui diretamente para a manutenção da integridade das folhas, retardando o processo de senescência (amarelecimento), minimizando o murchamento e a perda de água e, garantido um produto mais túrgido e aceitável. Dessa maneira, o Si exerce um efeito positivo sobre a durabilidade do produto, permitindo que a alface se mantenha fresca por mais tempo, o que representa uma vantagem significativa, tanto para o produtor quanto para o consumidor final.
Já o Se, além de suas propriedades antioxidantes, tem a capacidade de influenciar a composição nutricional da planta. A bioacumulação de selênio nas folhas de alface não só promove benefícios à saúde humana devido às suas propriedades antioxidantes, como também pode agregar valor ao produto, dado o crescente interesse por alimentos enriquecidos com micronutrientes essenciais.
Entretanto, deve-se ter cautela na aplicação deste elemento, uma vez que altas concentrações podem resultar em efeitos adversos, tanto no desempenho da planta quanto na qualidade sensorial e segurança do consumo humano.
Assim, a incorporação de Si e Se nos cultivos hidropônicos de alface revela-se como uma abordagem inovadora, alinhada às demandas contemporâneas por sistemas agrícolas mais sustentáveis e com menor impacto ambiental.
A ação estruturante (Si) e antioxidante (Se), proporcionam uma dupla ação benéfica, tanto no aumento da resistência da planta a estresses bióticos e abióticos, quanto na melhoria da qualidade nutricional e sensorial do produto final.
Além disso, os avanços no conhecimento sobre o manejo desses elementos no cultivo hidropônico podem representar uma verdadeira revolução na produção de hortaliças, não apenas pelo aumento da produtividade e qualidade, mas também pela redução da dependência de insumos químicos, como pesticidas e fertilizantes sintéticos.
Nesse sentido, a integração desses elementos benéficos, de forma balanceada, no cultivo de alface pode ser vista como uma prática sustentável e promissora, com o potencial de promover alimentos mais saudáveis, de melhor qualidade e com um valor nutricional superior, atendendo, assim, às exigências dos consumidores e aos desafios impostos pela agricultura moderna
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