A declividade ideal da bancada de hidroponia

A declividade ideal da bancada de hidroponia é um tema um tanto controverso, porém de suma importância para a implantação e funcionamento de sistemas hidropônicos tipo NFT, principalmente em projetos situados em regiões quentes do Brasil.

                   

Em uma breve revisão de literatura pode-se constatar uma evolução na recomendação quanto às declividades adotadas para o sistema NFT. Na década de 90, por exemplo, a recomendação da declividade a ser adotada situava-se entre 2 a 4%, com comprimento máximo de bancada de 12 m, assim a bancada iniciava-se com 0,50 m e, seu final 0,98 m (0,48 m, ao se considerar 4% de declividade, com implantação do sistema em um terreno horizontal plano).

                          

Atualmente, as recomendações encontram-se entre 8 a 10% e, comprimento máximo de 12 m. Vale ressaltar que o comprimento máximo está em função da oxigenação homogênea no percurso da solução nos perfis.
Por outro lado, esta recomendação gera um problema na altura da bancada na extremidade da qual é injetada a solução nutritiva; ao se considerar 10% de declividade teríamos 1,20 m somados aos 0,50 m iniciais, seriam 1,70 m de altura. Este valor é limitante para todo o processo de plantio, transplante, colheita e limpeza das bancadas hidropônicas. Assim, é fato incontestável que um terreno com declividade entre 5 a 7% é a escolha ideal para a implantação do projeto hidropônico.

                 

Mas qual é a explicação para a escolha de uma declividade acentuada? Muitos produtores aceitam como explicação técnica que o aumento da declividade está em função dos acréscimos de vazão na solução injetada nos perfis (A qual deve ser próxima a 1,5 L min-1 por perfil), entretanto e, apesar da declividade entre 8 a 10% favorecer a uma vazão homogênea, esta deve ser calculada não pela declividade e sim pelo dimensionamento ideal da bomba. Acréscimos na declividade são explicados pela tendência ao aquecimento da solução ao passar pelos perfis hidropônicos, uma vez que parte da radiação luminosa que incide nos perfis se transforma em calor. Assim, quanto mais rápido o retorno da solução ao reservatório, no momento que bomba se desliga (Intermitência de irrigação no sistema), menor a possibilidade de aquecimento da solução nutritiva.

               

Um sistema hidropônico eficiente não deve apresentar temperaturas de solução nutritiva acima de 30°C, pois tais temperaturas favorecem à danos físicos nas raízes, assim como à falta de oxigenação no sistema (Por ser uma função inversa entre concentrações de O2 e T) e, consequentes perdas do sistema radicular por apodrecimento. O dimensionamento ideal da declividade bancadas hidropônicas, quando associado às tecnologias de controle da incidência luminosa e, consequente transformação em calor, tais como uso de telas termoreflectivas e nebulização, são cruciais para o cultivo de hortaliças em praticamente todas as regiões produtivas do Brasil.

Gostou deste conteúdo? Separamos alguns artigos que com certeza irão lhe interessar! 

Compartilhe este conteúdo

Deixe uma resposta