Hidrogood News: Qual é o melhor substrato para a hidroponia?

Visando esclarecer esta questão, este Hidrogood News tem por objetivo abordar as algumas características para que um substrato deva garantir um eficaz crescimento das plantas cultivadas em hidroponia.

Muitos produtores têm esta dúvida de qual é o melhor substrato para se cultivar hortaliças em hidroponia. Em função disto esta é uma pergunta recorrente nas capacitações da Hidrogood.

Seja a utilização dele na etapa de produção de mudas ou no cultivo em sistema em substrato, qual é o melhor substrato a ser utilizado para a produção hidropônica?

Basicamente, o melhor substrato é aquele que atende a demanda das plantas em dois fatores: na oferta eficiente de água e oxigênio. 

Cabe aqui ressaltar algo importante: os nutrientes essenciais ao crescimento das plantas hidropônicas serão fornecidos pelo sistema hidropônico. Assim, o cálculo adequado para que não ocorram problemas de excesso é essencial. Porém, o conhecimento da capacidade de retenção de nutrientes (CTC e CTA) neste substrato é um dado importante para o manejo da fertilização.

Ao utilizar um certo volume de substrato, alguns fatores devem ser considerados. Primeiramente, considerar a densidade máxima que as raízes ocuparão o volume de substrato disponibilizado no decorrer de cada estágio de crescimento. Depois, qual será a altura do recipiente e do substrato, a fim de avaliar a água disponível e não disponível. Em seguida, como será a programação de irrigação (em função da lixiviação de nutrientes e da possibilidade de salinização do substrato no decorrer do cultivo). Por fim, avaliar qual é o pH e a condutividade elétrica do substrato antes e após as adubações programadas.

Para que estes questionamentos sejam respondidos, variáveis físicas e químicas devem ser avaliadas:

  1. Porosidade total do substrato
  2. Aeração
  3. Disponibilidade de água neste substrato, dada pela capacidade de retenção de água
  4. pH e EC do substrato e da solução e suas interações no decorrer do cultivo

De modo específico, a porosidade total do substrato é a diferença do volume total do substrato subtraída do volume de água e ar (em suas diferentes proporções), não sendo possível quantificar e qualificar ao se analisar esta variável, o volume de macro e microporos

Vale ainda ressaltar que o crescimento radicular no decorrer do ciclo, a porosidade do substrato será alterada, pois aumentará a quantidade de materiais sólidos que ocuparão os espaços antes ocupados pela água e pelo ar.

Sendo assim, é um dado variável no decorrer do cultivo, principalmente em cultivos longos, no caso do tomate. Este inclusive é um dos fatores que regem a necessidade de troca do substrato no decorrer de cultivos sucessivos.

Já o espaço de aeração é o volume de ar que ocupa um dado volume de substrato. Esta análise é realizada em laboratório, aplicando uma sucção de 0,1 MCA. 

Resumidamente, ao se plantar um tomateiro em um vaso, pressupõe-se que o substrato ofereça uma aeração entre 30 e 40% em volume neste ambiente – uma condição ideal a ser alcançada para a garantia do crescimento radicular da cultura.

Já a capacidade de retenção de água é parametrizada em 50% do volume total do substrato, o que significa que 50% do espaço disponibilizado no substrato será ou “deverá ser” preenchido por água. 

Porém isso não quer dizer que toda a água destes 50% estará disponível facilmente às plantas, pois parte desta água pode estar em baixa disponibilidade ao sistema radicular. Isso se dá por conta da influência de  forças denominadas de coesão e de adesão que induzem a atração da água às partículas contidas no substrato. 

Uma ressalva importante, de modo geral, espera-se a formação de uma lâmina de água no fundo do vaso, água essa com disponibilidade reduzida (principalmente quando não se ocorre interceptação radicular, como por exemplo as raízes de mudas recém-plantadas). Assim, a altura desta lâmina terá relação direta com o formato do vaso e esse fator deve ser considerado.

Já as variáveis químicas possuem importância no manejo nutricional, sendo o pH e a condutividade elétrica (EC) variáveis a serem monitoradas e controladas diariamente. 

Porém, dada a capacidade de lavagem do substrato com água no sistema, o pH e a EC quando escapam dos limites parametrizados para o cultivo, podem e devem ser corrigidos de forma contínua e rotineira. Esta rotina se consegue em função do monitoramento destas da EC e do pH  desde que o manejo de adubação seja monitorado.

Assim, a avaliação da solução drenada, a partir do uso de uma ferramenta denominada “extrator de solução nutritiva” é o método mais recomendado para a tomada de decisão de correções da EC e do pH no sistema, visando a longevidade do substrato (cultivos sucessivos), uma vez que o valor de substrato é uma variável de custo importante para cultivos hidropônicos em sistemas de substrato.

Espero que vocês tenham gostado deste Hidrogood News e até o próximo.

Por Dr. Gláucio da Cruz Genuncio, especialista em Nutrição Mineral de plantas.

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