Hidrogood News Edição Especial: A importância do uso do “mudão” na hidroponia

Por: Dr. Gláucio da Cruz Genuino, especialista em Nutrição Mineral de plantas.

A busca de maior produtividade e de uma melhor qualidade de planta associada a uma planta adaptada às características ambientais com, de modo geral, excesso de calor é um fator importante para o hidroponista. Assim técnicas que favoreçam a obtenção de mudas resistentes às variações microclimática e que garantam uma redução de ciclo com melhor qualidade são fundamentais para a agregação de valor e maior estabilidade na produção.

Em função disto, algumas observações são necessárias para a adoção da técnica de mudão adotada pelos produtores mais tecnificados da hidroponia no Brasil. Primeiramente, o mudão é uma planta que permanecerá nas primeiras fases de sua formação por mais tempo. A questão é, por quê ela permanecerá nesta situação? Pergunta esta que deve ser associada com outra: Como se obter esta muda de qualidade com este tipo de condução?

O porquê da adoção atual do mudão é o de se adicionar à muda uma característica de maior resistência/tolerância ao transplante, em função de características microclimáticas. Uma muda bem formada, vale ressaltar, é aquela que possui um maior enraizamento e enfolhamento, pois tais características garantirão uma melhor aclimatação desta mudança quando submetidas às diferentes fases da hidroponia.

Exemplificando: em uma hidroponia situada em locais com temperaturas mais altas, como nas regiões Centro-Oeste e Norte, cujas temperaturas máximas podem ultrapassar os 35oC facilmente, o transplante de fases pode ser um ponto crítico na produção, quando estas não possuírem uma boa formação de raízes e folhas.

Com a adoção da produção de mudão, o efeito negativo da temperatura e demais fatores indiretos relacionados, como redução da oxigenação da solução nutritiva, podem ser minimizados. Assim, basicamente produzir alface, rúcula e tomate, por exemplo, na forma de mudão traduz-se na produção de plantas de melhor formação estrutural e fisiológica, com uma maior resistência as mudanças de fase.

Pois bem, mas como fazer isto? Ao entendermos o significado da mudança de fases, esta pergunta acima começa a ser respondida: conduzimos a planta em uma, duas ou três fases para prepararmos a muda para o plantio definitivo. Este preparo objetiva ao fortalecimento das plantas hidropônicas. E isto é obtido com uma condução visando maior disponibilização de radiação solar para melhor formação de folhas e parte aérea associada a uma adequada nutrição. Podemos considerar que a genética da planta ajuda a todo este processo (plantas resistentes ao estiolamento/pendoamento).

Em função disto, ao conduzirmos uma planta em espaços muito abertos como, por exemplo, quando o produtor no sistema convencional ao transplantar a muda da bandeja diretamente para o canteiro definitivo coloca a planta em uma condição de excesso de radiação luminosa e, consequentemente, perde em produção, produtividade e qualidade de planta. Por outro lado, e focando mais na realidade do produtor hidropônico, quando deixamos uma planta “passar” nas fases inicias, podemos induzir as mesmas a um ambiente com deficiência de radiação, favorecendo ao seu estiolamento, que é a busca de “luz” em um ambiente que está em falta. Esta busca deixa a muda fraca e com menor resistência ao transplante às demais fases.

Assim, para que consigamos um mudão de excelência, a condução de plantas em bandejas com maiores espaçamentos e/ou em fases intermediárias que não favoreçam a competição entre plantas (interespecífica) por “luz” é um dos grandes segredos. Tal fato é associado a um melhor manejo nutricional, uma vez que a planta é maior e demanda mais nutrientes na fase intermediária (é importante ressaltar). Este mudão necessitará de uma adição de uma CE de solução nutritiva um pouco mais elevada, como por exemplo, uma CE de 1,3 para alface e 1,7 para rúcula.

Por fim, o uso de biopromotores na produção de mudão com ação hormonal associadas ao uso de aminoácidos é um dos grandes potencializadores na produção destas plantas com características comercias superiores.

Espero que tenham gostado desta Edição Especial da Hidrogood News e até a próxima.

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