Hidrogood News: Soluções para o controle de tripes em hidroponia

Imagem de capa: Lyle Buss/Universidade da Florida

Por: Dr. Gláucio da Cruz Genuncio, especialista em Nutrição Mineral de plantas.

Conforme debatemos no último Hidrogood News, cuidados especiais com limpeza da estufa, a retirada de plantas hospedeiras (mato) embaixo das bancadas, além da desinfecção das bancadas e do solo, o uso de barreiras físicas e controle químico e a vistoria prévia de mudas adquiridas de viveiristas são premissas fundamentais para o controle do tripes no cultivo hidropônico de diversas culturas, sejam elas hortaliças folhosas, frutíferas ou ornamentais, dada a característica cosmopolita do tripes. 

Assim, torna-se essencial o conhecimento de práticas que mitiguem a incidência do tripes. Estas práticas perfazem um conjunto de técnicas de um manejo integrado de pragas (MIP). O MIP define-se como o uso de uma associação de métodos de monitoramento e controle com a aplicação de defensivos biológicos associados ou não a defensivos químicos, além do uso de feromônios (de modo simplista) que para o controle de insetos predadores de plantas comerciais atuam como atrativos para armadilhas e, a partir do uso de plantas atrativas para inimigos naturais. 

As efetivas ações positivas da aplicação prática destes conceitos destacados acima estão em função do efetivo monitoramento e de um assertivo controle quando as populações prejudiciais fogem do controle, ou como denominamos, ficam acima do nível de dano econômico (NDE).

No contexto supracitado, ressalta-se recomendações científicas quanto ao plantio de espécies atrativas de inimigos naturais, assim como de plantas repelentes do tripes no entorno das estufas (bordaduras), objetivando a estabilidade na interação populacional entre a praga e seus insetos predadores. Destaca-se ainda que o plantio da Tagetes patula ou, vulgarmente chamada, cravo-de-defunto, vem sendo recomendado dada a sua ação efetiva no controle efetivo do tripes em hidroponia.

Também é importante destacar que o tripes apresenta cinco estágios biológicos que seguem: ovo, ninfa, pré-pupa, pupa e inseto adulto e que parte do ciclo está nas folhas e que parte está no solo (conforme citado na edição anterior), tornando-se fundamental o olhar criterioso para esta fase de desenvolvimento que, inclusive, é de modo geral negligenciada pelo produtor.

Em função disto, muito tem se debatido quanto ao uso de barreiras físicas (rafia de solo ou cal virgem aplicado embaixo da bancada), assim como com a adoção da aplicação rotineira de defensivos. Neste contexto, estudos com o uso criterioso dos fungos Beauveria bassiana e Metarhizium anisopliae, aplicados tanto no solo quanto via foliar, associados ou não com Hypoaspis aculeifer (este aplicado somente no solo) têm se destacado como muito promissores.

Além disso, o uso de percevejos do gênero Orius, primariamente observados em ecossistemas naturais em predação ao tripes em cultivo protegido e, em específico, na hidroponia merecem destaque quanto a recomendação de controle biológico para as culturas de tomate, berinjela, pepino, pimentão e morango conduzidas nestes sistemas agrícolas

Destaca-se ainda neste contexto, que a coabitação entre tripes e Orius insidiosus no mesmo ambiente (microambiente), pois ambos são verificados em predação no interior das folhas, flores, axilas e meristemas apicais das diversas hortaliças cultivadas em hidroponia.  

Ressalta-se que o uso de um produto comercial denominado Insidiomip® vem crescendo anualmente como método alternativo de controle de tripes. Este produto é composto por Orius insidiosus e, segundo a empresa, pode ser aplicado juntamente com Beauveria bassiana e Metarhizium anisopliae, além dos defensivos químicos, como: amistar top, cabrio top, certeiro e Premio (este para tomate, pimentão, pepino e pimenta, couve e berinjela), além da associação com defensivos alternativos como citroceler, dipel (este para couve, repolho, couve-flor, brócolis, melão, melancia, pepino, abóbora), azamax (acelga agrião alface almeirão, abóbora abobrinha , berinjela , brócolis chicória, couve couve-chinesa couve-de-bruxelas couve-flor, salsa morango pimenta pimentão pepino, rúcula  tomate).

Em função disto, o importante a se ressaltar é a possibilidade do uso de técnicas e tecnologias amplamente ofertadas no mercado brasileiro objetivando combater esta praga de difícil controle e, que vem causando sucessivos prejuízos aos produtores hidropônicos brasileiros.

Assim, espero que tenham apreciado esta edição do Hidrogood News e até o nosso próximo encontro.

Gostou das dicas? Separamos outros conteúdos que podem te interessar: