Hidrogood News: Pós-Colheita de Hortaliças Hidropônicas

Por: Dr. Gláucio da Cruz Genuino, especialista em Nutrição Mineral de plantas.

As perdas de frutas, verduras e hortaliças (FLV) são significativas na cadeia produtiva destes gêneros alimentícios, podendo variar entre 30 a 70%, dependendo da hortaliça hidropônica produzida.

Estes valores causam impactos sociais e econômicos, pois correspondem a, cerca de, 1.3 bilhões de toneladas de FLV que são anualmente perdidas em todo mundo. No Brasil, a média de perdas na cadeia de FLV é a de 1/3 de tudo o que é produzido.

Ao considerarmos todas as etapas do processo, as perdas percentuais dos FLV podem ser separadas em: 10% na unidade produtiva, ou seja, “da porteira para dentro”, 50% no transporte, 30% nas Centrais de distribuição e 10% no varejo (supermercados, por exemplo). Por outro lado, e, especificamente na produção de hortaliças hidropônicas, os percentuais são um pouco diferentes, as perdas podem chegar a 15 a 45%, sendo que 10% a 20% são no processo produtivo (desde da produção nas bancadas hidropônicas até a colheita) e 5 a 25% na comercialização. Pode-se observar uma redução significativa de perdas no transporte, devido as curtas distâncias e a exigência da entrega de produtos frescos.

É importante ressaltar que o hidroponista deve ter como meta principal a redução de perdas no decorrer do processo. Assim, a adoção de práticas que vão desde o monitoramento na área produtiva até a contratação de promotores/repositores é uma tática importante para que as perdas se aproximem a 10 – 15% (valores aceitáveis na produção de hortaliças em sistema hidropônico de cultivo).

Mas como pode ser definido perda pós-colheita? A definição de perdas é dada por “alterações que ocorrem no produto após a colheita que deprecia a qualidade e impede seu consumo”. Estas alterações podem ser definidas como de ordem qualitativa, que correspondem às alterações no sabor, textura, aroma, aparência e valor nutricional, assim como de caráter quantitativo, que são: redução do peso, causada por dano mecânico, além do ataque de pragas e doenças, excesso de temperatura (escaldadura) e UR% inadequadas, assim como concentração de etileno nas embalagens (exemplo da degradação da couve não conservada de forma apropriada).

E como as perdas ocorrem? Na unidade produtiva, a primeira perda dar-se pela não seleção de mudas que garantam a qualidade final do produto (a não seleção de mudas, ao que me parece,  é um fator que mais influência na perda de qualidade de uma hortaliça hidropônica), além da ausência de práticas de monitoramento de pragas e doenças, de forma eficiente e de um eficaz manejo nutricional. 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Por outro lado, ao se transportar o produto hidropônico a longas distâncias, a aplicação do resfriamento, associado ao uso de embalagens apropriadas (produtos pré-higienizados), caixas plásticas (banindo-se o uso de caixas de madeira, ou caixa K), assim como o uso de aditivos que reduzam a síntese de etileno, tais como: ceras (em hortaliças de fruto) e sachês de permanganato de potássio no ambiente climatizado do caminhão. Todo este cuidado perfaz o conjunto de ações que são fundamentais para a garantia da redução do processo de senescência causada pela síntese de etileno.

Um dos fatores que geram elevadas perdas para o produto hidropônico ao produtor é o conjunto de cuidados destinados a estes produtos na comercialização. É importante, por exemplo, considerar a aplicação do resfriamento destes produtos a partir do uso de gôndolas refrigeradas, pois a aplicação da temperatura adequada na conservação de hortaliças pode aumentar o tempo de prateleira em até dez dias. Além do resfriamento a ser aplicado, cuidados com a organização e disposição dos produtos na gôndola são fundamentais para a manutenção das qualidades físicas dos produtos, uma vez que o amassamento é um fator que gera etileno e, consequentemente, uma redução nas características química e físico química da hortaliça hidropônica, principalmente as hortaliças de frutos.

Assim, a observação dos pontos críticos que favoreçam processos de perdas em toda a cadeia de produção e distribuição das hortaliças pode ser fator redutor de perdas e, consequentemente, de elevação de lucros para o hidroponista.

 

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