Hidrogood News: Formação de algas em sistemas hidropônicos

Por: Dr. Gláucio da Cruz Genuncio, especialista em Nutrição Mineral de plantas.

A muito se debate da importância da necessidade da não formação de algas no sistema hidropônico, pois a elas recaem vários problemas associados, tais como o surgimento do Pythium sp, da presença de Bradysia spp. e Scatella stagnalis (Fungus gnats), além do aumento na incidência de Pectobacterium (dentre outros tipos de bactérias fitopatogênicas).

Porém, muito pouco se discute como surgem estes organismos na hidroponia e as relações existentes com doenças e mortes radiculares. Por definição, as algas que habitam os sistemas hidropônicos (que é uma coisa temerária, porém corriqueira) fazem parte de um grande grupo de indivíduos autotróficos (que crescem e se estabelecem fazendo fotossíntese) e, quando a população “explode” pode ser fator de risco à produção, uma vez que propiciam desequilíbrios nutricionais, dada a competição por nitrogênio e fósforo, dos quais são nutrientes que estão amplamente disponíveis no sistema hidropônico via solução nutritiva.

Cabe aqui ressaltar que para que ocorra o processo de eutrofização no ambiente, a presença de energia solar ou luz (algo abundante na estufa) associada a disponibilidade de nutrientes (N, P) e microrganismos (Oriundos da água) configura-se uma condição favorável ao processo. Pois bem, assim, o cuidado com o descarte da solução nutritiva em rios e lagos é obrigação do produtor para se evitar a eutrofização destes ambientes.

Voltemos ao tema: A alga é um organismo autotrófico (fotossintetizante) que ao entrar em contato com um ambiente rico em energia solar (luz) e nutrientes (solução nutritiva) tem sua propagação favorecida e, ao fazer a fotossíntese, existe a possibilidade de crescimento exponencial da população em um sistema hidropônico. O interessante deste processo é que a alga, ao fazer fotossíntese, pode gerar um incremento de oxigênio ao sistema (muitos pensarão), porém a controvérsia está no fato que a explosão populacional gerará um aumento significativo de matéria orgânica neste mesmo sistema (hidropônico).

Para entendermos a problemática do incremento de matéria orgânica no sistema temos que saber o que é a demanda bioquímica de oxigênio (DBO). Assim, a DBO é uma das medidas utilizadas para avaliação da qualidade de água, especificamente de águas poluídas com esgoto (que não é o caso da hidroponia), porém, por definição, a DBO mensura a quantidade de oxigênio necessária para oxidar a matéria orgânica contida no sistema por meio da decomposição aeróbia da matéria orgânica feita por microrganismos adaptados ao meio aquático, tais como fungos e bactérias aeróbias, consumindo oxigênio para a decomposição da matéria orgânica (por isso a demanda na sigla DBO).

Esse é o ponto mais interessante a ser abordado em nossa breve conversa: com a infestação de algas nos sistemas hidropônicos, cria-se um ambiente propício para que fungos e bactérias fitopatogênicas (que causam mal às plantas) se instalem. Em função disto, além do cenário ser favorável a incidência de Pythium, por exemplo, a presença de matéria orgânica proveniente da decomposição das algas mais raízes pode aumentar significativamente a DBO. Sendo que este aumento pode favorecer a um significativo decréscimo de oxigênio no sistema, uma vez que ao ocorrer a oxidação da matéria orgânica no sistema uma quantidade de oxigênio é usada pelos fungos e bactérias aeróbias.

É importante destacar que o oxigênio é indispensável ao crescimento e desenvolvimento do sistema radicular das hortaliças hidropônicas e que concentrações de oxigênio dissolvido na solução nutritiva entre 4,0 a 5,0 mg L-1 podem induzir à morte das raízes.

Pois bem, já vimos o problemão que é a presença de algas em hidroponia: mas como controlamos a formação de algas no sistema hidropônico?

Uma questão relevante é o revestimento do perfil, o qual não deve permitir a incidência de luz na solução. Além do revestimento coextrusado, por exemplo, todo o trajeto da solução nutritiva no sistema deve ser protegido da incidência de luz.

Por outro lado, em algum ponto pode-se observar a presença de algas (lembremos que nutrientes mais luz condicionam a presença de algas). Assim, a limpeza do perfil por lavagem é fator obrigatório na rotina hidropônica. Uma outra prática adotada por muitos produtores é a aplicação diária de 3 a 5 ml de peróxido de hidrogênio a 200 volumes (água oxigenada) a cada 1000 L de solução nutritiva para a redução da incidência de algas, até a redução das algas em níveis aceitáveis.

Ressalta-se ainda que a redução da matéria orgânica dar-se por processo oxidativo, assim, o uso de ozônio (O3) vem sendo uma prática aplicada por alguns produtores brasileiros.

Assim, a mensagem final deste Hidrogood News é: Cuidem do sistema para que a população de algas seja a menor possível, pois isto garantirá sanidade as suas plantas hidropônicas.

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