Hidrogood News: A importância do manejo de “luz” na hidroponia

Por: Dr. Gláucio da Cruz Genuncio, especialista em Nutrição Mineral de plantas.

Primeiramente, desejo a todos os leitores do Hidrogood News um feliz 2020, repleto de realizações pessoais e profissionais e, com muita saúde para todos!

Quanto ao tema a ser abordado, muito se fala da importância da “luz” e de seu manejo em cultivos protegidos. Antes de tudo, o termo “luz” não retrata a forma adequada de abordarmos esta variável agronômica, por ser um termo muito subjetivo.

Radiação é o termo correto a ser adotado para tratarmos deste assunto. Para sermos mais específicos, podemos subdividir a radiação em radiação global e radiação fotossinteticamente ativa (aquela que a planta usa para crescer e se desenvolver). Ela nada mais é que um somatório de comprimentos de ondas eletromagnéticas que os seres vivos (as plantas) utilizam para seu metabolismo.

De qualquer forma, a abordagem deste assunto nesta edição tem como objetivo a orientação em termos práticos e não teóricos. Sendo assim, quando tratamos de radiação, pensamos em uma faixa adequada que visa atender ao crescimento das plantas. Em termos práticos esta afirmação significa: quando se têm excessos de radiação as plantas queimam (por fotoinibição). Já quando existe a deficiência de radiação, as plantas estiolam (ficam caneludas). Em ambos os casos tais respostas representam perda de qualidade, produtividade e susceptibilidade ao ataque de pragas e doenças.

Pois bem, mas como identificamos as faixas adequadas de radiação? Primeiramente, e de forma bastante generalista, uma faixa de 60.000 a 80.000 lumens é a faixa que atende bem as plantas cultivadas em hidroponia. Se tratarmos de ajustes finos, espécies como a rúcula necessitam de valores mais próximos a 60.000 lumens. Já a alface, principalmente as alfaces roxas necessitam de valores de lumens próximos a 80.000, ou até superiores a este.

Parametrizando, valores de radiação medidos a céu aberto e ao meio dia (sol a pino), dependendo da região do Brasil podem chegar a 125.000 lumens. Assim, a grande pergunta é como medir, monitorar e reduzir este excesso de radiação?

Uma notícia boa para todos nós é que hoje existem vários aplicativos para celulares que fazem esta medida, um que uso bastante foi desenvolvido pelo prof. Nilton Cometti, do Instituto Federal de Panaltina, que pode ser encontrado na versão Androide pelo nome Estufa Inteligente. Recomendo que vejam.

De posse deste APP, a aferição e o monitoramento lhes permitirão ao refino do manejo de radiação (irradiância, que é caracterizada pela quantidade de fótons por área por tempo). E como podemos reduzir o excesso de radiação?

Para isto têm-se a tela de sombreamento, que pode ser preta ou aluminizada, com recomendação para a segunda, e por isso faz-se a recomendação de telas entre 35 a 50% de transmitância. Vamos fazer um exercício simples: Se temos um dado local que às 11:00h da manhã a irradiância esteja a 120.000 lumens e estamos produzindo rúcula, ao cobrirmos estas plantas com a tela de 50%, reduziremos a irradiância a 60.000 lumens, valor este adequado ao crescimento das rúculas hidropônicas.

Por outro lado, temos esta mesma situação para alface, ou seja, 120.000 lumens, assim, com o uso de uma tela de sombreamento de 35%, esta irradiância se reduzirá para 78.000 lumens, faixa adequada para o crescimento das alfaces hidropônicas.

Resumidamente, o manejo da tela deve ser em função da leitura da radiação com o uso de um aparelho ou um aplicativo para que a tomada de decisão seja mais assertiva possível. Por outro lado, a falta de radiação também é algo recorrente em muitos produtores. De modo geral, está associada ao não recolhimento da tela em situação de presença de nuvens, assim como o excesso de detritos nos plásticos (plástico sujo ou velho).

Gostou deste Hidrogood News? Nos envie seus comentários e sugestões para próximas edições. Até o próximo!

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