O que deve constar em uma solução nutritiva?

Antes de iniciarmos este artigo, fica aqui uma ressalva: Não existe uma única receita que seja adequada para todas as culturas. Isso porque para cada espécie existe uma solução mais adequada, dependendo da exigência nutricional. 

A composição da solução nutritiva depende não só das concentrações dos nutrientes, mas também de uma série de fatores: Espécie da planta cultivada, tipo de sistema hidropônico, idade e estágio de crescimento, época do ano/duração do período de luz, fatores ambientais, etc. Dessa forma, os nutrientes são absorvidos em diferentes quantidades, de acordo com as condições em que a planta se encontra.

Mas, para se obter alta produtividade das plantas, os nutrientes devem ser fornecidos em quantidades e proporções adequadas em todas as fases do seu ciclo. E, para isso, o uso de uma solução que atenda às exigências nutricionais da cultura é o primeiro passo para o sucesso do cultivo.

Além disso, é preciso entender que, para obter uma solução adequada e balanceada, ela deve possuir, pelo menos, as seguintes características:

  • Conter todos os nutrientes que as plantas necessitam;
  • Ser equilibrada de acordo com a cultura;
  • Ter potencial osmótico entre 0,5 e 1,2 atm;
  • Ter pH entre 5,5 e 6,5, pois é onde se tem a maior disponibilidade de nutrientes

Levando em consideração que existem alguns fatores que afetam a absorção da solução (espécies, variedades, estágio de desenvolvimento, fotoperíodo, intensidade luminosa (radiação), temperatura, etc), é preciso entender que existe uma sequência correta de adição dos elementos. Há quem misture separadamente os macro e micronutrientes por diversas razões. Aqui na Hidrogood desenvolvemos um fertilizante onde ambos os elementos já estão juntos, o Hidrogood Fert. Neste caso, apenas o cálcio e o ferro precisam ser adicionados separadamente, pois o primeiro forma compostos insolúveis com fosfatos e sulfatos e o ferro é pouco solúvel e deve ser colocado na forma complexada com EDTA para ficar dissolvido e disponível para as plantas. Quando é colocado puro ele precipita e as plantas não conseguem absorvê-lo. 

Mas, antes de adicioná-lo é preciso realizar a medição do pH.  Se estiver fora da faixa adequada pode ser corrigido com ácido, sendo o mais usado o fosfórico (para baixar) e usa-se uma base para aumentar, como o hidróxido de potássio.

A água utilizada para a solução nutritiva também deve ser analisada para ter certeza de que não apresenta alguns minerais em excesso ou um pH muito alterado. A água ideal deve ter uma CE abaixo de 0,5 mS/cm e sais numa proporção inferior a 50 ppm.

Também é preciso observar que existe uma divisão entre os elementos que compõe a solução nutritiva, sendo eles:

  • Orgânicos: C, H, O
  • Minerais:
    – Macronutrientes: N, P, K, Ca, Mg, S, Ni;
    – micronutrientes: Mn, Fe, B, Zn, Cu, Mo, Cl.

A divisão entre macro e micronutrientes leva em consideração a quantidade que a planta exige de cada nutriente para o seu ciclo. Ela é constituída em torno de 90 a 95% do seu peso em C, H e O, mas esses elementos orgânicos não apresentam problemas, pois proveem do ar e da água, o que temos em abundância na hidroponia.

Então, o foco são os elementos minerais, que são os que irão compor a solução nutritiva. Segundo Furlani (1999), recentemente o níquel (Ni) entrou para o rol dos elementos essenciais, pois faz parte da estrutura molecular da enzima urease, que é necessária para a transformação de nitrogênio amídico em mineral. Porém, a sua quantidade deve ser inferior à de molibdênio.

Outros elementos também têm sido considerados benéficos ao crescimento de plantas, mas não são essenciais, como o sódio (Na) para plantas halófitas, o silício (Si) para algumas gramíneas e o cobalto (Co) para leguminosas fixadoras de nitrogênio atmosférico.

Dito isso, de acordo com a redistribuição no interior das plantas, os nutrientes podem ser classificados em três grupos que podem ser úteis na identificação de sintomas de deficiência de um determinado nutriente:

  1. Móveis: NO3, NH4+, P, K e Mg
  2. Intermediários: S, Mn, Fe, Zn, Cu e Mo
  3. Imóveis: Ca e B

A falta de N e B, por exemplo, causa sintomas em partes mais velhas (folhas velhas) e mais jovens da planta (ponto de crescimento), respectivamente.

Na hidroponia, a absorção é geralmente proporcional à concentração de nutrientes na solução próxima às raízes. Mas, fatores ambientais como salinidade, oxigenação, temperatura, pH, intensidade de luz, fotoperíodo e umidade do ar também influenciam muito.

Cada um dos macro e micronutrientes possuem pelo menos uma função e a sua falta ou excesso provocam sintomas de carência ou toxidez, então é preciso estar atento e analisa se um elemento é ou não essencial para que a planta complete o seu ciclo de vida.

Controle da solução

Controlar e realizar a manutenção diariamente da solução nutritiva são aspectos importantes para obter um processo produtivo eficiente. Considere sempre três aspectos: Complementar o volume gasto sempre com água, ajuste do pH e monitoramento do consumo de nutrientes através da condutividade elétrica (valores específicos para cada fase, espécie e situação do cultivo).

Já conhece a nossa Calculadora para Solução Nutritiva? Com ela você que utiliza o Hidrogood Fert pode calcular a quantidade dos componentes da sua solução (tanto inicial quanto para reposição diária) de maneira rápida e fácil. 

Basta preencher os dados da sua produção e terá em mãos uma tabela com todos os componentes, suas medidas e variações de CE gratuitamente. Acesse a ferramenta aqui.

Gostou das dicas? Separamos outros conteúdos que podem te interessar:
Compartilhe este conteúdo