Hidrogood News: Produção de PANCs em Hidroponia, uma inovação mercadológica

Por: Dr. Glaucio da Cruz Genuncio, especialista em Nutrição Mineral de plantas.

Com o crescimento do conceito da alimentação saudável, equilibrada e de proteção à saúde associada a uma reduzida variabilidade de oferta de hortaliças convencionais (já se perguntaram quantos tipos de plantas consumimos no nosso dia a dia?), surge uma nova “linha de frente” de plantas que podem ser consumidas e associadas a esse tipo de alimentação.

As PANCs (Plantas Alimentícias Não Convencionais) englobam, de certa forma, um universo místico de como a sociedade se alimentou no decorrer de sua evolução. Cabe ressaltar aqui que, sem sombra de dúvidas, muitas destas plantas PANCs já são conhecidas popularmente e estreitamente ligadas a costumes populares variados.

Torna-se significativa a afirmação da existência de mais de 10.000 PANCs, muitas destas atribuídas a fins medicinais e não à alimentação saudável. Elas “surgem” espontaneamente no quintal, na calçada (quem nunca tomou um chá de quebra pedras?), na parede de suas casas que, na grande maioria das vezes, são referenciadas como ervas invasoras e, para tal, capinadas, cortadas, podadas e… queimadas, ou seja, perdidas. Cabe aqui mais uma ressalta: É uma lástima tamanha estarmos queimado toda a nossa biodiversidade brasileira em volumes cada vez mais crescentes!!!

Por outro lado, um dado sine qua non é que o crescimento no consumo das PANCs nos últimos anos é impulsionado pela alta gastronomia. São muitos Chefs que utilizam as PANCs em seus restaurantes, gerando assim a difusão destas iguarias em diversos pratos e diversos estratos sociais, consumidas (ou apreciadas) tanto como planta inteira como em suas partes. 

Esta dinâmica gastronômica gera um crescente demanda por estas plantas no mercado de hortaliças, ou melhor, de plantas com potencial de “alimentar seres humanos”. O interessante disto é que as PANCs podem ser consumidas em sua totalidade ou em parte, como talos, folhas, raízes, sementes, ou na forma processada, de óleos, farinhas, chás, enfim, são inúmeros proveitos para este grande grupo de plantas.

Vamos aos exemplos de PANCs?

  • Ora-Pro-Nobis, uma PANC rica em proteínas (25%) e bastante difundida entre os admirados de PANC;
  • Bertalha (Mineiros adoram com ovo), possui altos teores de Ca e vitaminas A, B2, 5 e C;
  • Beldoegra, caracteriza pelo alto percentual de Ômega 3;
  • Taioba (outra PANC bem conhecida dos mineiros), por possuir um alto potencial alimentício, assim como por ser considerada uma planta medicinal por muitos por auxiliar no tratamento de perda de visão, prisão de ventre e na melhoria sistema imunológico (algo almejado nos dias atuais);
  • Tem-se também o Jacatupé, o Dente de Leão (famosa pela propriedade digestiva), a Serralha, o Hibisco, o Peixinho (frito é uma iguaria), a Capeba, o Picão Branco e o Picão Preto

Destacamos também as PANCs consumidas em partes, que englobam as “plantas classificadas como convencionais”. Dentre estas temos:

  • Folhas de Batata Doce (por sua ação antioxidante);
  • O Coração da Bananeira ou Mangará (já apreciei como refogado, uma iguaria rica em flavonoides e antioxidantes);
  • A Trapoeraba-roxa, uma planta amplamente utilizada em projetos paisagísticos que pode ser consumida frita à milanesa (gosto interessante…que comparativamente não deixa a desejar para a beterraba à milanesa);
  • Azedinha (erva vinagreira muito apreciada entre os consumidores de PANCs);
  • Caruru (PANC rica em vitaminas A1, B1, B2 e C, CA, Fe, K, muito consumida pelo nordestino).

Têm-se também a Tanchagem, a Bura, o Beldoegrão, a Araruta, a Capiçoba e a Capuchinha, esta famosa pela comercialização e consumo das flores comestíveis (pois é, quem já comeu flor da Capuchinha já foi apresentado às PANCs), além do consumo de flores da Abóbora à milanesa. 

Temos também o consumo de folhas da Beterraba (isso mesmo, hoje famosamente conhecidas como plantas propícias para o cultivo como micro verdes, dentre outras plantas categorizadas como tal); da Banana Verde em CHIPS (excelente e tipicamente da culinária mineira e cuiabana) e, finalmente, do doce da casca de Mamão Verde (Que saudades de minha querida avó).

Com tudo isso, só tenho a afirmar uma coisa: Hidroponistas, mãos à obra pois existe um mercado em potencial a ser desbravado e conquistado! 

Um forte abraço a todos e até o próximo Hidrogood News.

Gostou das dicas? Separamos outros conteúdos que podem te interessar:
Compartilhe este conteúdo