Estufa Hidrogood

Doenças fúngicas na cultura da alface hidropônica

A alface é uma das hortaliças mais consumidas pelos brasileiros, sendo cultivada em todo o território nacional. Com o surgimento e ascensão da hidroponia aliada ao cultivo protegido, a hortaliça ganhou ainda mais popularidade devido à produção durante o ano inteiro, além de oferecer um produto de boa qualidade. Porém, apesar da hidroponia ter baixa incidência de pragas e doenças em relação ao cultivo convencional de solo, ainda assim está sujeita ao ataque de vários patógenos causadores de doenças, sejam eles bactérias, fungos ou vírus.

Neste artigo trouxemos quatro doenças causadas por fungos na hidroponia como forma de auxiliar você, leitor, na diagnose correta dessas doenças, passo inicial para o controle das mesmas.

Míldio

Agente causador: Bremia lactucae

Síntomas: Essa é uma das maiores ameaças ao cultivo da alface e pode causar perdas superiores a 80%. A primeira manifestação da doença ocorre através de manchas foliares verde-claras ou amareladas, úmidas e de tamanho visível. Ao evoluírem tornam-se necróticas, pardas e cobertas por um crescimento branco na face inferior.

Míldio AlfaceFonte: Instituto Biológico de São Paulo

O que mais assusta é que essa doença pode ocorrer em qualquer fase da cultura. Se ocorrer logo após a germinação, pode infectar os cotilédones (a primeira ou cada uma das primeiras folhas de um embrião) causando a sua morte. Se ocorrer na fase de mudas, afeta principalmente as folhas basais, apresentando sintomas semelhantes aos descritos anteriormente. Mas, o mais comum, é aparecer após o fechamento da cultura.

Desenvolvimento e condições favoráveis: O motivo para o desenvolvimento do míldio pode variar: Semente infectada, solo infestado, resto de plantas não suficientemente decompostos do cultivo anterior ou estruturas do fungo trazidas pelo vento, oriundas de plantas doentes de cultivos vizinhos. Além disso, um ambiente com alta umidade e temperaturas na faixa de 12 a 20ºC favorecem a doença e, uma vez presente na plantação, sua disseminação é rápida, podendo causar perdas consideráveis em pouco tempo.

Septoriose 

Agente causador: Septoria lactucae Passerini 

Sintomas: A septoriose é uma doença muito comum em regiões de clima ameno e em épocas chuvosas. Os primeiros sintomas podem ser observados normalmente nas folhas baixas, onde as lesões são inicialmente marrom-claras de bordas pouco definidas e produzem grande quantidade de esporos que terminam por infectar as folhas mais novas.

Septoriose Fonte: Instituto Biológico de São Paulo

 Ao evoluírem, tornam-se necróticas, pardo-escuras, envoltas por um halo amarelado e podem atingir toda a área foliar. Quando o ataque é mais severo é possível observar a presença de lesões escuras nas hastes florais e falhas na formação de sementes. 

Desenvolvimento e condições favoráveis: Essa doença normalmente se inicia através de sementes ou solo infectados, mudas doentes e respingos de água de chuva e irrigação. Além disso, a condição ideal para a sua proliferação é a temperatura entre 10 a 28ºC e umidade alta.

Cercosporiose

Agente causador: Cercospora longisssima

Sintomas: A doença se manifesta, primeiramente, nas folhas mais velhas e inferiores através de manchas marrons, rodeadas por um tecido clorótico, evoluindo para manchas irregulares e angulares, de coloração canela a amarronzada. Os sintomas se dispersam progressivamente para a parte superior da planta, podendo ocupar grandes áreas das folhas.

CercosporioseFonte: Instituto Biológico de São Paulo

Essa doença diferencia-se da septoriose por apresentar manchas mais individualizadas e com bordas mais bem definidas. Em ataques severos pode provocar a queima das folhas.

Desenvolvimento e condições favoráveis: A cercospora acontece sob temperaturas na faixa de 25ºC e alta umidade relativa do ar. O vento e respingos de água ajudam a disseminar, seja entre plantas que estão na mesma plantação ou  de cultivos vizinhos. 

Mofo cinzento

Agente causador: Botrytis spp.

Sintomas: Esse fungo pode atacar diversas espécies vegetais e em qualquer fase de desenvolvimento, tanto vegetativo quanto reprodutivo. O sintoma típico da doença é o aparecimento do mofo cinzento em diversas partes da planta (folhas, brotos, cálices jovens, etc), mas, o sintoma inicial são manchas concêntricas, úmidas, castanho-escuras, geralmente localizadas na ponta das folhas externas. 

mofo cinzentoFonte: Rijk Zwaan

Já nos brotos, as lesões apresentam-se como um escurecimento que evolui para manchas. Se o ataque ocorrer nos brotos do ápice das mudas, pode causar a morte do mesmo. Em todos os casos, o fungo desenvolve, posteriormente, nos tecidos afetados um mofo cinzento.

Desenvolvimento e condições favoráveis: A disseminação do B. cinerea ocorre principalmente através de semente e/ou mudas contaminadas e pela ação de correntes de ar e respingos de água da chuva ou irrigação. Além disso, o fungo também possui estruturas resistentes capazes de produzir hifas e conídios que podem iniciar novos ciclos da doença. 

As condições favoráveis para o seu desenvolvimento são umidade e temperaturas que variam de 18 a 22ºC, podendo ser encontrada em regiões altas ou com invernos mais rigorosos, bem como em alfaces conservadas em baixas temperaturas.

Como controlar?

As doenças fúngicas na cultura da alface podem causar problemas sérios para o produtor, que pode chegar a perder uma produção inteira. Por isso, o conhecimento da sintomatologia, etiologia e práticas de manejo são fundamentais para a implementação de sistemas saudáveis de produção. 

As doenças citadas, apesar dos sintomas serem diferentes, possuem alguns pontos em comum: Se proliferam em ambientes úmidos, atacam principalmente as folhas das plantas e são provenientes das sementes.

Por isso, as medidas de controle podem ser parecidas para estes casos:

  • Utilizar sementes de boa qualidade;
  • Em caso de cultivo protegido, manter a estufa bem ventilada;
  • Optar pelo sistema hidropônico, pois como a solução entra em contato apenas com as raízes as folhas mantêm-se secas;
  • Espaçamento adequado entre as plantas;
  • Pulverizar preventivamente com fungicidas registrados;
  • Eliminar os restos culturais do sistema (este, pode-se dizer, é o ponto mais importante, pois como vimos, alguns fungos podem se desenvolver a partir de restos não decompostos e contaminar a produção inteira)

Entretanto, saber realizar um manejo eficiente, é a parte mais importante para controlar as doenças na hidroponia. Por isso, se você deseja se aprofundar ainda mais no manejo de uma produção hidropônica, é importante buscar sempre informações e estudos que possam agregar conhecimento, afinal, a busca por informações em uma atividade que está em atualizações constantes como a hidroponia, é um dos principais ingredientes para o sucesso no ramo.

E, quando falamos em buscar informações, não estamos falando apenas em ter uma visão mais ampla do negócio através de inovações tecnológicas para se produzir hortaliças ou entendimento de administração do negócio, mas, sim, da base para se iniciar uma produção, ou seja, os tratos culturais, controle de pragas e doenças, manejo nutricional, dentre outros.

Por isso, recentemente lançamos um curso online com o tema “Como Cultivar Folhosas em Hidroponia”, onde passamos por todos os tópicos importantes para se ter uma produção hidropônica saudável, de qualidade e que ofereça produtos com valor agregado. Quem apresenta o curso é o consultor e produtor rural Ricardo Tarchiani, que possui vasta experiência no mercado profissional e comercial. Saiba mais sobre o curso aqui.

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